segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

São homens e rezam. Apenas entre homens




São homens e rezam. Apenas entre homens 

Há homens que se reúnem para rezar o terço no masculino, sem mulheres, que acusam de “controlar tudo” na igreja

Começam a aproximar-se da porta da igreja do Seixal às nove da noite fria e molhada.

Cumprimentam quem encontram pelo caminho e ficam à espera. Quando a porta do santuário se abre, entram. Dirigem-se para o primeiro banco, olhos postos no altar. São três homens e o padre. Em silêncio, tiram os terços dos bolsos, baixam a cabeça e começam a rezar. Durante quase 40 minutos, ajoelhados, repetem: “Ave Maria...”

Há dois anos que um grupo de 12 homens se junta uma vez por mês na igreja da zona antiga para rezar o terço. Deixam para trás a família e os jogos de futebol para tentar replicar em Portugal um movimento de oração no masculino que surgiu no Brasil, onde são milhares os homens que rezam apenas entre homens.

“Numa pesquisa na internet encontrei o Movimento do Terço dos Homens, no Brasil, e pensei que poderia ser uma ótima ideia para Portugal”, explica Nuno Capucha, um dos impulsionadores. Técnico tributário, 44 anos, conta a história habitual de alguém que se afastou da religião na adolescência e regressou, adulto, para as missas de domingo, mas que precisava de algo mais. Mas porquê rezar apenas entre homens? “Porque as mulheres tomam a liderança de tudo o que diz respeito à vida das igrejas e os homens ficam para trás.”


Terço com sotaque

Em julho, o jornal brasileiro “O Globo” fez manchete com uma fotografia de milhares de homens a rezar de terço nas mãos. A reportagem contava que à noite, acabada a missa, as mulheres saíam da igreja e os lugares eram ocupados por homens. Três mil terão lotado um templo na zona norte do Rio de Janeiro. A cerimónia foi transmitida em direto pela internet. O movimento ganhou força na última década e está a ser exportado para a Bolívia, Paraguai e EUA.

O artigo não conta que a onda de oração no masculino terá começado pela mão de dois padres portugueses: Miguel Lencastre e José Pontes encontraram nas igrejas vazias do nordeste do Brasil uma oportunidade para atrair homens, acostumados a ficar do lado de fora. Quem explica é António Ruivo, ligado ao santuário de Schoenstatt, em Lisboa, que ouviu o relato diretamente de um dos sacerdotes. Portugal, contudo, está muito longe desta dimensão. A pesquisa do Expresso descobriu apenas os grupos do Seixal e de Schoenstatt e mesmo o Patriarcado, quando questionado, não os conhecia. Há procissões, como a da Farinheira, em Mação, em que só participam homens, mas que não funcionam com esta regularidade.

Desde 2014 que os participantes do grupo do Seixal tentam conquistar mais adeptos, mas não é fácil. Criaram uma página no Facebook e colaram um cartaz no átrio da igreja. Apostaram sobretudo na divulgação boca a boca, mas o movimento não cresceu. Os que participam, contudo, dizem-se fiéis. Pedro Inês, 35 anos, desempregado, só falta às reuniões quando tem de ficar com o filho de ano e meio porque a mulher, que trabalha por turnos, não consegue. Valentim Queirós, reformado, 71 anos, 12 netos e dois bisnetos, diz que participa porque “é bom estar entre homens” e que “rezar em grupo tem outra força”, embora o terço faça parte da sua rotina diária, mesmo que solitária. Rafael Santos, funcionário público, 30 anos, outro dos fundadores do movimento na margem sul, defende que o objetivo é “rezar de forma pragmática, pelas intenções de cada um, porque a vida é uma batalha diária e o terço é uma arma que dá força”. O simbolismo masculino é evidente nos discursos, como quando Nuno Capucha confessa ser “devoto de São Nuno de Santa Maria, génio militar impulsionado pela fé”.

Enquanto fala tem nas mãos o terço de madeira oficial do movimento brasileiro, lembrança que trouxe do santuário de Aparecida para todos os membros do grupo.

Tiago Pacheco da Silva é pároco do Seixal há um ano. Quando chegou, encontrou o movimento e nunca pensou em fechar as portas a estes homens. Quando pode, participa, e quando não é possível “eles entram, rezam sozinhos e vão à vida deles”. Compreende a necessidade de homens rezarem entre homens porque “o terço está associado a uma oração de mulheres idosas e, além disso, as senhoras dominam todos os momentos da igreja e, desta forma, eles têm um método e tempo próprios”.


Orar sem o terço

O frio é o mesmo, o resto é distinto. Às mesmas 21h frias de uma noite de dezembro, outros homens começam a chegar. Desta vez, o local é o santuário de Schoenstatt, no Restelo. Também se atrasam. Também chegam aos poucos, um de cada vez. Este grupo é formado por seis homens, um está doente e não pode comparecer.

O Ramo dos Homens de Schoenstatt — movimento de renovação católica de génese masculina que surgiu em 1914 na Alemanha — chegou a ter quatro “grupos de vida”. Formados há cinco anos, atualmente, só dois núcleos funcionam regularmente. No total, são 15 homens que se encontram a cada quinze dias e decidem, de forma autónoma, que método querem imprimir às reuniões. “Somos um movimento de leigos e o padres são os nossos assessores, não mandam”, explica Paulo Galvão, psicólogo que trabalha como coach e é o coordenador do Ramo dos Homens.

Desafiados a explicar o motivo de se reunirem apenas entre homens, concordam que “homens e mulheres têm características próprias e, quando se juntam, estas evidenciam-se”. Dizem ainda que “também as interpretações dos textos são distintas”. Pedro Mendonça é o “chefe” daquele grupo de homens casados, com mais de 50 anos. Assumiu a responsabilidade em outubro e vai ser líder durante um ano litúrgico (até outubro de 2017). Engenheiro industrial, conta que foi “educado no amor à Igreja, em frente ao presépio” e que vê nesta prática “a possibilidade de desenvolver o papel de pioneiro e educador dos homens”.

Para o teólogo e sacerdote Anselmo Borges, o surgimento de movimentos de leigos é positivo. “Jesus era leigo e a Igreja é, antes de mais, o povo de Deus”. Segundo o religioso, “povo, em grego, diz-se laós, de onde vem a palavra leigo” e “é excelente que haja leigos que se reúnem em grupos e associações para rezar em conjunto, meditar e prestar serviços”. Avisa, contudo, para dois perigos: “O surgimento de algum elitismo ou a redução a um devocionismo intimista, esquecendo a caridade cristã.”

Também a teóloga Teresa Toldy alerta que “em geral, estes movimentos de espiritualização passam ao lado de questões fraturantes da Igreja”, como a discussão do papel da mulher na instituição e a sua ordenação. E sublinha que haver grupos só de mulheres para debater textos litúrgicos não é o mesmo porque “eles sempre tiveram voz na hierarquia, enquanto elas reúnem-se para ter espaço de expressão da sua fé, sem reproduzir o discurso masculino”.

Daniel Simões, 58 anos, é economista. Tinha deixado de ir à missa, mas numa peregrinação a Fátima aproximou-se do movimento e gostou do que viu porque não havia “muita beatice”.
Agora é dele a missão de organizar o Encontro Internacional dos Homens de Schoenstatt, em maio do próximo ano, em Aveiro e Fátima. José Cid é engenheiro informático e tem 65 anos. Começou a frequentar o santuário do Restelo trazido pela mão do filho e, hoje, toda a família participa. Não tem dúvidas de que a leitura no masculino “é mais focada” e sublinha que “o chavão da igualdade de género não se coloca em Schoenstatt, onde todos são iguais diante de Deus”. Os 66 anos do engenheiro agrónomo Pedro Castro e Costa fazem-no explicar que “não há um rezar no masculino e outro no feminino porque a prédica é a mesma, a expressão é que é diferente”, mas também que “os homens reforçam a oração quando a fazem em conjunto”.

Desde que surgiu, os homens de Schoenstatt tentam rezar o terço no masculino. Falharam sempre. Reconhecem que “o modelo de Portugal não tem de ser o do Brasil”, por isso dedicam-se a estudar textos litúrgicos. “Estamos numa fase embrionária, com tudo por fazer”, dizem. E se uma mulher quiser participar? “É o que está a acontecer”, responde Pedro Mendonça. Acabada a reunião, saem todos da sala e juntam-se em frente à porta, já fechada, do santuário. É quase meia-noite, ligam o telemóvel e rezam. Sem mulheres. Mas entregam-se a uma mulher, a mãe de Jesus.


domingo, 6 de novembro de 2016

Estreia em Portugal o filme “Agnus Dei – as inocentes”






filme francês ‘Agnus Dei - as inocentes’, da realizadora Anne Fontaine, que retrata o sofrimento de religiosas católicas violadas por soldados soviéticos durante a II Guerra Mundial, vai estrear esta quinta-feira, em Portugal.
A estreia foi no dia 3 de novembro, quinta-feira, em todo o país.
Baseado numa história verídica, o filme cruza a história de um convento na Polónia, em 1945, e de uma médica da Cruz Vermelha francesa, Mathilde, que prestar auxílio aos sobreviventes, encontrando religiosas grávidas.
O filme vai estar em exibição nas seguintes salas: Amoreiras - Lisboa; Dolce Vita Porto; Oeiras Park; El Corte Inglês - Lisboa; UCI Arrábida 20 - Porto; Cinema da Villa - Cascais.

domingo, 16 de outubro de 2016

18-10 - 18.15 - Recitação do terço pela unidade e paz - UM MILHÃO DE CRIANÇAS REZAM O TERÇO



A Paroquia do Seixal junta-se a esta iniciativa da Ajuda à Igreja que Sofre,   pelas 18.15, convida-se todas as crianças e a comunidade a rezar o terço por esta intenção

Acreditando profundamente no poder da oração, a Fundação AIS volta a convocar, este ano, as crianças portuguesas para se juntarem a esta grande iniciativa em que se pretende despertar consciências, mobilizar boas vontades e dar um sinal inequívoco de que contra a força das armas há sempre o poder da fé.
No próximo dia 18 de Outubro, todos os 22 secretariados internacionais da Fundação AIS vão procurar mobilizar as crianças de todo o mundo para que esta Jornada de Oração chegue a cada vez mais pessoas e consciências.

Esta iniciativa - inspirada nas palavras do Santo Padre Pio, de que “o mundo mudará” quando “um milhão de crianças rezar o Rosário” - tem adquirido uma expressão cada vez mais significativa de ano para ano.

Agora, que estamos a viver o Ano da Misericórdia, todos os cristãos são convidados a este momento de oração, mobilizando as crianças onde quer que elas se encontrarem, seja nas escolas, infantários, hospitais, orfanatos, paróquias, movimentos… ou, claro, nas suas próprias casas, em família.

Todos somos chamados a participar nesta Jornada de Oração pela paz, que pretende também ser um desafio aos que insistem em fazer a guerra ignorando as lágrimas e o choro de tantos inocentes.

Para a participação activa das escolas ou grupos de catequese, a Fundação AIS disponibiliza gratuitamente folheto com a oração do terço para entregar a cada uma das crianças.


sábado, 17 de setembro de 2016

Testemunho JMJ 2016 – Seixal


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Acreditámos desde o primeiro momento que eramos chamados a responder ao pedido do próprio Jesus, que nos convidava por meio do querido papa Francisco a participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, este ano em Cracóvia. Aqueles de nós que já tinham tido oportunidade de ir a outra JMJ, sabiam a importância de contagiar nos restantes a vontade e a decisão de participar. E foram muitos «sins». Do Seixal, quase 30, incluindo o nosso paróco! E de muitos grupos diferentes: grupo de jovens Caminho de Vida, grupo de jovens Harami, grupo de jovens ABBA, elementos da IIIª e IVª secção do nosso agrupamento de escuteiros 253, e ainda jovens cujo caminho, presença e serviço vai sendo desempenhado de outras formas na vida da comunidade paroquial. Tantos «sins» constituem um número exigente, na preparação material e espiritual a caminho do encontro com dois milhões de outros jovens católicos. Levámos connosco os restantes jovens, famílias, doentes, e todos os paroquianos, que se confiaram à nossa oração.

Pisar o solo da Polónia ao longo daqueles dez dias foi uma experiência humana intensa, um caminho de fé desafiante, um encontro demorado e frutífero com o Amor de Deus. Nos dias que antecederam as Jornadas, fomos conhecendo e visitando a história do povo polaco, que tanto sofreu ao longo dos séculos, perseguido e martirizado – mas que sempre encontrou na Misericórdia (o tema destas Jornadas, tão apropriado!) uma forma de seguir em frente, confiando em Jesus; e em Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia, que no santuário de Czestochowa nos embalou como filhos.

Chegados a Cracóvia, encontrámo-nos enfim com a Igreja Viva, a Igreja Jovem; e somos tantos! Cada um no seu país, cada um na sua cidade, na sua paróquia – em cada lugar onde pertencemos, experimentamos este Amor, esta fé que nos une. Uma experiência de Alegria e de festa, em que dançámos com pessoas de todas as culturas, cantando a plenos pulmões, cada um na sua língua e por vezes todos juntos. Uma experiência de Fé e de Esperança, em que nos momentos de celebração eucarística, ou na via sacra, ou na vigília de oração, impera o silêncio no meio da multidão. Em que outro lugar, em que outra festa, podemos encontrar um silêncio tão profundo e tão fértil?

As Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia foram uma oportunidade muito bela de encontro com Jesus Cristo; por meio da oração pessoal, dos momentos de oração comunitária, na Eucaristia diária, no encontro com tantos jovens que também partilham a mesma fé! Também foram belos os momentos de partilha com aqueles que nos foram mais próximos, o grupo da nossa paróquia e da nossa diocese. Regressámos cheios das bênçãos de Deus, e com uma grande vontade de sermos rosto de Jesus nas nossas casas, na nossa paróquia, na escola, na universidade, no trabalho! Nas periferias, onde haja necessidade! O papa Francisco assim nos pedia: que saltássemos do sofá, calçássemos as botas, e saíssemos de casa ao encontro dos irmãos!

O Amor de Deus não ficou para trás, em Cracóvia; trouxemo-Lo connosco. Resta-nos agradecer-Lhe a Sua bondade infinita; também agradecemos à Pastoral da Juventude, que nos conduziu durante aqueles dias, e a todos quantos nos acolheram, aos que rezaram por nós, aos que permitiram que pudéssemos estar unidos de forma tão particular à Igreja durante aqueles dias. Obrigado, em polaco: «Dziekuje!». Estamos ansiosos por partilhar esta certeza, esta fé que nos exige uma resposta; ansiosos por ver nascer os frutos deste milagre que foi podermos mergulhar na misericórdia do Senhor; ansiosos por, sem medo, Lhe abrirmos as portas do nosso coração e, com Jesus, amarmos como Ele ama. Glória a Deus!

domingo, 11 de setembro de 2016

17/09 - Sábado - NÃO SE CELEBRARÁ MISSAS VESPERTINAS NA VIGARIARIA DO SEIXAL

No próximo sábado dia 17/09 realizar-se-á a Peregrinação Jubilar das Paróquias da Vigararia do Seixal à Catedral de Setúbal, deste modo, e por forma a congregar toda a Vigararia em torno desta Peregrinação e do seu Bispo, não haverá Missas Verpertinas em toda Vigariaria.

Deste modo, NÃO SE CELEBRARÁ A MISSA DAS 18.00 na Igreja Paroquial

terça-feira, 23 de agosto de 2016

17 Set - Peregrinação Jubilar das Paróquias da Vigararia do Seixal à Catedral de Setúbal



17 de Setembro


14.30h - Pregação do Rev. Sr. Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada na Igreja de S. Julião

15.30h – Peregrinação a pé até à Catedral

16.00h – Santa Missa na Catedral oficiada por Sua Excelência Reverendíssima, o Sr. Bispo de Setúbal, D. José Ornelas


Na Sacristia inscrições para o autocarro da Paróquia do Seixal – 5 euros (saída às 13.15h)

domingo, 31 de julho de 2016

Horários da Paroquia do Seixal no mês de Agosto


Atenção

Na Paróquia durante o mês de Agosto:



- Ao Domingo só há a celebração da Santa Missa das 12.00h.



- Não há atendimento de Cartório.



- Não há  Adoração do Santíssimo Sacramento durante a manhã.



- Nos dias em que há Santa Missa a Igreja só abre uma hora antes da mesma.



- Nos dias 2; 3; 5; 9; 10 e 12 de Agosto não há celebração da Santa Missa, mas a Igreja estará aberta das 17.00h às 18.00h.



- Nos dias 4 e 11 de Agosto (Quinta-feira) celebração da Santa Missa precedida de Adoração do Santíssimo Sacramento às 17.30h.





Pe. Tiago Ribeiro Pinto

Prior do Seixal

Papa pede aos jovens que façam crescer uma nova humanidade

31 jul, 2016 - 11:36 • Aura Miguel , enviada a Cracóvia


Na missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude, Francisco disse que é preciso ter coragem para amar os inimigos e ser “mais forte do que o mal”.



Com o olhar de Jesus Cristo, com alegria e com esperança os jovens podem fazer crescer uma “nova humanidade” mais fraterna e mais justa. Esta foi, em resumo, a mensagem que o Papa Francisco deixou aos jovens reunidos na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que termina este domingo na Polónia.

No Campo da Misericórdia, nos arredores de Cracóvia, mais de um milhão de jovens participaram na missa de encerramento. Na homilia, Francisco pegou na história de Zaqueu, um cobrador de impostos que mudou de vida quando conheceu Jesus, e identificou os três obstáculos a esse encontro: a baixa estatura de Zaqueu, que teve de subir a uma árvore (um sicómoro) para ver Jesus, uma “vergonha paralisante” e a “multidão murmurante”, que, primeiro, o bloqueou e depois o criticou. Ao longo do seu discurso, Francisco como que actualizou esses obstáculos para a vida dos jovens de hoje.

Primeiro, a baixa estatura que identificou como o “risco de ficar à distância de Jesus, porque não nos sentimos à altura, porque temos uma baixa opinião de nós mesmos”. Esta é uma grande tentação, disse o Papa, que não tem a ver apenas com a auto-estima, mas toca também a fé que diz que os homens são filhos de Deus.

“Jesus assumiu a nossa humanidade, e o seu coração não se afastará jamais de nós; o Espírito Santo deseja habitar em nós; somos chamados à alegria eterna com Deus. Esta é a nossa «estatura», esta é a nossa identidade espiritual: somos os filhos amados de Deus, sempre”, afirmou Francisco, acrescentando muito directamente para os jovens: “Deus ama-nos assim como somos, e nenhum pecado, defeito ou erro Lhe fará mudar de ideia. Para Jesus – assim nos mostra o Evangelho –, ninguém é inferior e distante, ninguém é insignificante, mas todos somos predilectos e importantes: tu és importante! E Deus conta contigo por aquilo que és, não pelo que tens: a seus olhos, não vale mesmo nada a roupa que vestes ou o telemóvel que usas; não lhe importa se andas na moda ou não, importas-lhe tu.”

Não responder a Jesus com SMS

O Papa garantiu que Deus é fiel “mesmo obstinado” em amar o homem, que é mesmo o seu “maior adepto” e espera por cada um mesmo quando a tristeza parece instalar-se.

“Aguarda-nos sempre com esperança, mesmo quando nos fechamos nas nossas tristezas e dores, remoendo continuamente as injustiças recebidas e o passado. Mas, afeiçoar-nos à tristeza, não é digno da nossa estatura espiritual. Antes pelo contrário; é um vírus que infecta e bloqueia tudo, que fecha todas as portas, que nos impede de reiniciar a vida, de recomeçar. Deus, por seu lado, é obstinadamente esperançoso: acredita sempre que podemos levantar-nos e não Se resigna a ver-nos apagados e sem alegria. É triste ver um jovem sem alegria”, afirmou o Papa, que aconselhou os jovens a rezar todas as manhas dizendo: “Senhor, agradeço-te porque me amas; faz-me enamorar da minha vida. Não dos meus defeitos, que hão-de ser corrigidos, mas da vida, que é um grande dom.”

O segundo obstáculo, a vergonha paralisante. “Podemos imaginar o que se passou no coração de Zaqueu antes de subir àquele sicómoro: terá havido uma grande luta; por um lado, uma curiosidade boa, a de conhecer Jesus; por outro, o risco de fazer triste figura. Zaqueu era uma figura pública; sabia que, tentando subir à árvore, se faria ridículo aos olhos de todos: ele, um líder, um homem de poder. Mas superou a vergonha, porque a atracção de Jesus era mais forte”, explicou Francisco, actualizando a situação para os dias de hoje: “Aqui está também para nós o segredo da alegria: não apagar a boa curiosidade, mas colocar-se em jogo, porque a vida não se deve fechar numa gaveta. Perante Jesus, não se pode ficar sentado à espera de braços cruzados; a Ele que nos dá a vida, não se pode responder com um pensamento ou com um simples SMS.”

O Papa disse aos jovens que não se envergonhem de entregar tudo a Deus, em especial as fraquezas e os pecados, certos que, na confissão, serão surpreendidos pelo perdão e pela paz.

Contra a “multidão murmurante”

Por fim, a “multidão murmurante”, que, na história de Zaqueu, considerava que Jesus não devia entrar na casa de um pecador. “Naquele dia, a multidão julgou Zaqueu, mediu-o de alto a baixo; mas Jesus fez o contrário: levantou o olhar para ele. O olhar de Jesus ultrapassa os defeitos e vê a pessoa; não se detém no mal do passado, mas antevê o bem no futuro; não se resigna perante os fechamentos, mas procura o caminho da unidade e da comunhão; não se detém nas aparências, mas vê o coração”, explicou.

“Como é difícil acolher verdadeiramente Jesus! Como é árduo aceitar um Deus, rico em misericórdia”, exclamou Francisco que vê hoje essa multidão em todos aqueles que procuram fazer os jovens crer num Deus rígido, distante e castigador.

“O nosso Pai faz nascer o seu Sol se levante sobre os bons e os maus» e convida-nos a uma verdadeira coragem: ser mais fortes do que o mal amando a todos, incluindo os inimigos. Podem considerar-vos sonhadores, porque acreditais numa nova humanidade, que não aceita o ódio entre os povos, não vê as fronteiras dos países como barreiras que têm de ser guardas e preserva as suas próprias tradições, sem egoísmos nem ressentimentos. Não desanimem! Com o vosso sorriso e os vossos braços … com os vossos braços abertos, pregais esperança e sois uma bênção para a única família humana, que aqui tão bem representais”, apelou o Papa, pedindo também aos jovens para que não se detenham nas aparências, nem esperem louvores, mas lutem pacificamente pela honestidade e a justiça.

A terminar, o Papa pediu à multidão que leve o que viveu nestes dias para casa. “ O Senhor não quer ficar apenas nesta bela cidade ou em belas recordações, mas deseja ir a tua casa, habitar a tua vida de cada dia: o estudo e os primeiros anos de trabalho, as amizades e os afectos, os projectos e os sonhos.
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Como Lhe agrada que tudo isto seja levado a Ele na oração! Como espera que, entre todos os contactos e os chat de cada dia, esteja em primeiro lugar o fio de ouro da oração! Como deseja que a sua Palavra fale a cada uma das tuas jornadas, que o seu Evangelho se torne teu e seja o teu ‘navegador’ nas estradas da vida”, afirmou Francisco, pedindo também aos jovens que guardem como um tesouro a memória destes dias vividos na Polónia.

“Confiem na recordação de Deus: a sua memória não é um disco rígido que grava e armazena todos os nossos dados, mas um coração terno e rico de compaixão, que se alegra em eliminar definitivamente todos os nossos vestígios de mal. Tentemos, também nós agora, imitar a memória fiel de Deus e guardar o bem que recebemos nestes dias”, concluiu o Papa que, no fim da missa, na oração do Angelus, anunciou que a próxima Jornada Mundial da Juventude vai ter lugar no Panamá, em 2019.

A Renascença com o Papa Francisco na Polónia. Apoio: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Com o olhar de Jesus Cristo, com alegria e com esperança os jovens podem fazer crescer uma “nova humanidade” mais fraterna e mais justa. Esta foi, em resumo, a mensagem que o Papa Francisco deixou aos jovens reunidos na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que termina este domingo na Polónia.

No Campo da Misericórdia, nos arredores de Cracóvia, mais de um milhão de jovens participaram na missa de encerramento. Na homilia, Francisco pegou na história de Zaqueu, um cobrador de impostos que mudou de vida quando conheceu Jesus, e identificou os três obstáculos a esse encontro: a baixa estatura de Zaqueu, que teve de subir a uma árvore (um sicómoro) para ver Jesus, uma “vergonha paralisante” e a “multidão murmurante”, que, primeiro, o bloqueou e depois o criticou. Ao longo do seu discurso, Francisco como que actualizou esses obstáculos para a vida dos jovens de hoje.

Primeiro, a baixa estatura que identificou como o “risco de ficar à distância de Jesus, porque não nos sentimos à altura, porque temos uma baixa opinião de nós mesmos”. Esta é uma grande tentação, disse o Papa, que não tem a ver apenas com a auto-estima, mas toca também a fé que diz que os homens são filhos de Deus.

“Jesus assumiu a nossa humanidade, e o seu coração não se afastará jamais de nós; o Espírito Santo deseja habitar em nós; somos chamados à alegria eterna com Deus. Esta é a nossa «estatura», esta é a nossa identidade espiritual: somos os filhos amados de Deus, sempre”, afirmou Francisco, acrescentando muito directamente para os jovens: “Deus ama-nos assim como somos, e nenhum pecado, defeito ou erro Lhe fará mudar de ideia. Para Jesus – assim nos mostra o Evangelho –, ninguém é inferior e distante, ninguém é insignificante, mas todos somos predilectos e importantes: tu és importante! E Deus conta contigo por aquilo que és, não pelo que tens: a seus olhos, não vale mesmo nada a roupa que vestes ou o telemóvel que usas; não lhe importa se andas na moda ou não, importas-lhe tu.”

Não responder a Jesus com SMS

O Papa garantiu que Deus é fiel “mesmo obstinado” em amar o homem, que é mesmo o seu “maior adepto” e espera por cada um mesmo quando a tristeza parece instalar-se.

“Aguarda-nos sempre com esperança, mesmo quando nos fechamos nas nossas tristezas e dores, remoendo continuamente as injustiças recebidas e o passado. Mas, afeiçoar-nos à tristeza, não é digno da nossa estatura espiritual. Antes pelo contrário; é um vírus que infecta e bloqueia tudo, que fecha todas as portas, que nos impede de reiniciar a vida, de recomeçar. Deus, por seu lado, é obstinadamente esperançoso: acredita sempre que podemos levantar-nos e não Se resigna a ver-nos apagados e sem alegria. É triste ver um jovem sem alegria”, afirmou o Papa, que aconselhou os jovens a rezar todas as manhas dizendo: “Senhor, agradeço-te porque me amas; faz-me enamorar da minha vida. Não dos meus defeitos, que hão-de ser corrigidos, mas da vida, que é um grande dom.”

O segundo obstáculo, a vergonha paralisante. “Podemos imaginar o que se passou no coração de Zaqueu antes de subir àquele sicómoro: terá havido uma grande luta; por um lado, uma curiosidade boa, a de conhecer Jesus; por outro, o risco de fazer triste figura. Zaqueu era uma figura pública; sabia que, tentando subir à árvore, se faria ridículo aos olhos de todos: ele, um líder, um homem de poder. Mas superou a vergonha, porque a atracção de Jesus era mais forte”, explicou Francisco, actualizando a situação para os dias de hoje: “Aqui está também para nós o segredo da alegria: não apagar a boa curiosidade, mas colocar-se em jogo, porque a vida não se deve fechar numa gaveta. Perante Jesus, não se pode ficar sentado à espera de braços cruzados; a Ele que nos dá a vida, não se pode responder com um pensamento ou com um simples SMS.”

O Papa disse aos jovens que não se envergonhem de entregar tudo a Deus, em especial as fraquezas e os pecados, certos que, na confissão, serão surpreendidos pelo perdão e pela paz.

Contra a “multidão murmurante”

Por fim, a “multidão murmurante”, que, na história de Zaqueu, considerava que Jesus não devia entrar na casa de um pecador. “Naquele dia, a multidão julgou Zaqueu, mediu-o de alto a baixo; mas Jesus fez o contrário: levantou o olhar para ele. O olhar de Jesus ultrapassa os defeitos e vê a pessoa; não se detém no mal do passado, mas antevê o bem no futuro; não se resigna perante os fechamentos, mas procura o caminho da unidade e da comunhão; não se detém nas aparências, mas vê o coração”, explicou.

“Como é difícil acolher verdadeiramente Jesus! Como é árduo aceitar um Deus, rico em misericórdia”, exclamou Francisco que vê hoje essa multidão em todos aqueles que procuram fazer os jovens crer num Deus rígido, distante e castigador.

“O nosso Pai faz nascer o seu Sol se levante sobre os bons e os maus» e convida-nos a uma verdadeira coragem: ser mais fortes do que o mal amando a todos, incluindo os inimigos. Podem considerar-vos sonhadores, porque acreditais numa nova humanidade, que não aceita o ódio entre os povos, não vê as fronteiras dos países como barreiras que têm de ser guardas e preserva as suas próprias tradições, sem egoísmos nem ressentimentos. Não desanimem! Com o vosso sorriso e os vossos braços … com os vossos braços abertos, pregais esperança e sois uma bênção para a única família humana, que aqui tão bem representais”, apelou o Papa, pedindo também aos jovens para que não se detenham nas aparências, nem esperem louvores, mas lutem pacificamente pela honestidade e a justiça.

A terminar, o Papa pediu à multidão que leve o que viveu nestes dias para casa. “ O Senhor não quer ficar apenas nesta bela cidade ou em belas recordações, mas deseja ir a tua casa, habitar a tua vida de cada dia: o estudo e os primeiros anos de trabalho, as amizades e os afectos, os projectos e os sonhos. Como Lhe agrada que tudo isto seja levado a Ele na oração! Como espera que, entre todos os contactos e os chat de cada dia, esteja em primeiro lugar o fio de ouro da oração! Como deseja que a sua Palavra fale a cada uma das tuas jornadas, que o seu Evangelho se torne teu e seja o teu ‘navegador’ nas estradas da vida”, afirmou Francisco, pedindo também aos jovens que guardem como um tesouro a memória destes dias vividos na Polónia.

“Confiem na recordação de Deus: a sua memória não é um disco rígido que grava e armazena todos os nossos dados, mas um coração terno e rico de compaixão, que se alegra em eliminar definitivamente todos os nossos vestígios de mal. Tentemos, também nós agora, imitar a memória fiel de Deus e guardar o bem que recebemos nestes dias”, concluiu o Papa que, no fim da missa, na oração do Angelus, anunciou que a próxima Jornada Mundial da Juventude vai ter lugar no Panamá, em 2019.

A Renascença com o Papa Francisco na Polónia. Apoio: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa



JMJ Cracóvia 2016



Para ver ou rever os principais momentos das JMJ de Cracóvia 2016

Não fiquem no sofá, sejam protagonistas da História, pediu o Papa aos jovens



Não fiquem no sofá, sejam protagonistas da História, pediu o Papa aos jovens

30 jul, 2016 - 22:17
O Papa pediu aos jovens reunidos na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na Polónia, que sejam livres e protagonista da História, da história pessoal e da história do mundo. Para Francisco, há uma situação que paralisa mais do que o medo: é o que chamou de “felicidade de sofá”. A vigília deste sábado juntou mais de um milhão de jovens no Campo da Misericórdia, onde vão passar a noite.






Papa. “Nada justifica o sangue de um irmão" e a guerra não é uma "notícia de jornal"

30 jul, 2016 - 22:00
Nada justifica a guerra, nada é mais valioso do que uma pessoa - foi com um apelo veemente à oração pela paz, sobretudo na Síria, que o Papa Francisco começou o seu discurso aos jovens na vigília da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), nos arredores de Cracóvia, na Polónia. Depois de ouvir o testemunho de três jovens, em especial de uma jovem síria que falou da guerra na cidade de Aleppo, o Papa Francisco disse que o sofrimento tinha deixado de ser uma notícia de jornal e apelou à oração.




De Papa para Papa. Francisco na senda de João Paulo II

30 jul, 2016 - 14:42 • Aura Miguel
Francisco rezou junto do túmulo de Santa Faustina Kovalska, ouviu a confissão de oito jovens e celebrou missa no santuário de S. João Paulo II, perto das minas de calcário onde o jovem Karol Wojtyla trabalhou durante a ocupação nazi. A vida e missão do Papa polaco marcaram toda a manhã deste sábado, no penúltimo dia da Jornada Mundial da Juventude. A Renascença com o Papa Francisco na Polónia. Apoio: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.


JMJ em Aleppo. Jovens sírios agradecem ao Papa

30 jul, 2016 - 12:20
Na impossibilidade de estarem presentes na Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, cerca de 1200 jovens sírios reúnem-se numa igreja em Aleppo, para acompanhar o evento à distância. Após a Via Sacra de sexta-feira, gravaram uma mensagem vídeo para o Papa Francisco.



"É uma viagem sem bilhete de regresso". Papa pede entrega aos consagrados

30 jul, 2016 - 11:39
Francisco celebrou missa no Santuário de S. João Paulo II, em Cracóvia, com centenas de bispos, padres, freiras e outros consagrados. O Papa pediu uma Igreja de portas abertas, com consagrados prontos a dar a vida em serviço aos outros.


sábado, 30 de julho de 2016

A Força do Silêncio




A força do silêncio

29 jul, 2016 - 12:13
O Papa Francisco visitou esta sexta-feira os antigos campos de concentração nazis de Auschwitz e Birkenau, na Polónia, numa homenagem silenciosa que durou cerca de hora e meia. A enviada da Renascença Aura Miguel descreve o momento, carregado de uma pesada mensagem, transmitida sem dizer uma única palavra. A Renascença está com o Papa Francisco na Polónia com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Papa lembra “irmãos sírios” na Via Sacra em Cracóvia

29 jul, 2016 - 21:52
O Papa lembrou, de forma especial, os sírios na via-sacra das Jornadas Mundial da Juventude que decorrem em Cracóvia. As 14 estações da via-sacra foram meditadas associando-as às 14 obras de misericórdia (sete corporais e sete espirituais), que o Papa também enunciou no seu discurso


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Setubal nas JMJ's

Foto M Matias

1º Encontro com os Jovens - Papa desafia jovens a viverem “aventura da misericórdia"

Papa chega de eléctrico ao primeiro encontro com jovens

28 jul, 2016 - 23:45
Foi de eléctrico que Francisco chegou à Jornada Mundial da Juventude e teve o seu primeiro banho de multidão. 15 jovens portadores de deficiência foram os companheiros de viagem do Papa - a recordar que as jornadas mundiais são mesmo para todos - e ao longo de 800 metros, num percurso quase em câmara lenta, Francisco saudou milhares de pessoas concentradas nas ruas do centro de Cracóvia. A Renascença com o Papa Francisco na Polónia. Apoio: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.


Papa desafia jovens a viverem “aventura da misericórdia"

28 jul, 2016 - 23:13
Francisco foi recebido em grande festa na Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia. O Papa desafiou os jovens a terem uma vida plena e a lançarem-se na “aventura da misericórdia”.




Papa agradece ao povo polaco pelo exemplo de fé em tempos difíceis

28 jul, 2016 - 14:28
O Papa foi recebido esta quinta-feira por milhares de fiéis no santuário polaco de “Jasna Gora”, em Czestochowa, no sul do país. Francisco celebrou missa para assinalar os 1.050 anos do baptismo da Polónia. O Papa considerou “significativo” que o aniversário do baptismo do povo polaco tenha coincidido com o Jubileu da Misericórdia.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

1º Dia do Papa na Polónia



Papa. O mundo vive uma "guerra", mas não de religiões

27 jul, 2016 - 18:23
O Papa Francisco disse esta quarta-feira que mundo vive uma “guerra”, mas rejeitou a ideia de que se trate de uma “guerra de religiões”. O Papa falou aos jornalista no avião, a caminho de Cracóvia, onde já aterrou. Francisco inicia esta quarta-feira uma visita de cinco dias à Polónia.



Primeiro dia de Francisco em terras de João Paulo II

27 jul, 2016 - 21:07
Francisco está na Polónia para dar seguimento a uma iniciativa de João Paulo II, a Jornada Mundial da Juventude. Mas não é só por isso que o Papa visita Cracóvia: a identidade cristã da Polónia e o actual contexto europeu são outras facetas desta visita até domingo. A Renascença com o Papa Francisco na Polónia. Apoio: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

A história de Maciej. O voluntário da JMJ que tocou o Papa

27 jul, 2016 - 23:00
Foi o primeiro contacto do Papa com os jovens em Cracóvia. Seguindo a tradição dos seus antecessores, Francisco foi à janela do Palácio dos Arcebispos saudar a multidão que esperou horas em pé para ver e ouvir o Papa. Aos jovens, Francisco contou a história de Maciej, um voluntário responsável pelo design gráfico da JMJ que morreu de cancro no início de Julho.

sexta-feira, 22 de julho de 2016




 
 
VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO
À POLÔNIA
POR OCASIÃO DA XXXI JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE (27-31 DE JULHO DE 2016)
 
 
Quarta-feira, 27 de julho de 2016
13.00Partida do Aeroporto de Roma/Fiumicino para Cracóvia 
15.00Chegada ao Aeroporto Internacional  “S. João Paulo II” de Balice-Cracóvia 
 Cerimônia de boas-vindas na Área Militar do Aeroporto Internacional de Balice-Cracóvia 
16.00Encontro com as Autoridades, com a Sociedade Civil e com o Corpo Diplomático no pátio do Castelo de Wawel  
16.40Visita de cortesia ao Presidente da República na "Sala dos Pássaros" do Castelo de Wawel 
17.30Encontro com os Bispos poloneses na Catedral de Cracóvia 

Quinta-feira, 28 de julho de 2016
06.40Traslado ao Aeroporto de Balice-Cracóvia 
  Visita ao Convento das Irmãs da Apresentação 
07.30Traslado de helicóptero para Częstochowa 
08.45Chegada ao Mosteiro de Jásna Gora e Oração na Capela de Nossa Senhora Negra 
09.30Santa Missa por ocasião do 1050º aniversário do Batismo da Polônia, na área do Santuário de Częstochowa 
11.45Retorno de helicóptero ao Aeroporto de Balice-Cracóvia  
16.30Cerimônia de acolhida dos jovens no Parque Jordan de Błonia em Cracóvia 

Sexta-feira, 29 de julho de 2016
07.45Traslado de helicóptero para Oswięcim 
08.30Visita ao Campo de concetração de Auschwitz 
09.30Visita ao Campo de concentração de Birkenau 
10.30Traslado de helicóptero para o Aeroporto de Balice-Cracóvia 
15.30Visita ao Hospital Pediátrico Universitário (UCH) em Prokocim em Cracóvia 
17.00Via-Sacra com os jovens no Parque Jordan de Błonia em Cracóvia 
   

Sábado, 30 de julho de 2016
07.30Visita ao Santuário da Divina Misericórdia em Cracóvia 
08.00O Santo Padre atravessará a Porta da Divina Misericórdia  
08.15Rito de Reconciliação de alguns jovens no Santuário da Divina Misericórdia  
9.30Santa Missa com Sacerdotes, Religiosas, Religiosos, Consagrados e Seminaristas poloneses no Santuário de S. João Paulo II em Cracóvia  
11.45Almoço com os jovens no Arcebispado 
18.00Chegada ao Campus Misericordiae e Passagem pela Porta Santa com alguns jovens 
18.30Vigília de Oração com os jovens no Campus Misericordiae 
   
   

Domingo, 31 de julho de 2016
09.00Santa Missa pela Jornada Mundial da Juventude no Campus Misericordiae 
 Ângelus 
16.00 Encontro com os Voluntários da JMJ e com o Comitê Organizador e Benfeitores na Tauron Arena em Cracóvia 
17.15 Cerimônia de despedida no Aeroporto de Balice-Cracóvia 
17.30Partida em avião para o Aeroporto Roma/Ciampino 
19.25Chegada ao Aeroporto de Roma/Ciampino

Hora: Portugal Continental
 
  

terça-feira, 19 de julho de 2016

SEIXAL A CAMINHO DE CRACÓVIA





No próximo sábado, 23 de junho, 25 membros da nossa comunidade, incluído o Pároco, irão iniciar a peregrinação rumo a Cracóvia ao encontro do Santo Padre nas Jornadas Mundiais da Juventude,

Irão integrados num grupo 90 pessoas organizado pelo Secretariado Diocesano da Pastoral da Juventude.

Por forma poderem acompanha-los com a vossa oração, indicamos o percurso que irão percorrer
23 junho                    Varsóvia
24 junho                   Wadowicw
                                  Auschwitz
25 junho                    Zakopane
                                   Cracóvia
25 a 31 junho             Cracóvia – JMJ’s
1 agosto                    Praga
Em breve publicaremos o programa completo das Jornadas e os horários das transmissões televisivas por forma a se acompanhar este grande encontro de fé dos jovens com o Papa
 

 

domingo, 17 de julho de 2016

O Vídeo do Papa 7 – Respeito pelos povos indígenas – Julho de 2016


Julho de 2016. O Vídeo do Papa:
Para que, com todo o coração, peçamos que sejam respeitados os povos indígenas, ameaçados na sua identidade e até na sua existência.

domingo, 5 de junho de 2016

O Video do Papa Francisco - Junho 2016


Para que os idosos, os marginalizados e as pessoas sós encontrem, mesmo nas grandes cidades, espaços de convívio e solidariedade.

sábado, 30 de abril de 2016

Papa Francisco, Exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia sobre o amor na família, 19 de março de 2016


Uma leitura breve

Do muito que a presente exortação refere, sublinho apenas quatro pontos: 1) a análise da situação; 2) a pastoral do vínculo; 3) o sujeito principal da pastoral familiar; 4) a lógica da integração. Vários outros merecem ser ponderados, como o que se refere à vida e à fecundidade, o direito inquestionável dos pais no respeitante à educação dos filhos, o diálogo e acompanhamento intergeracional, a pedagogia sacramental do matrimónio, etc.  

«O caminho sinodal permitiu analisar a situação das famílias no mundo atual, alargar a nossa perspetiva e reavivar a nossa consciência sobre a importância do matrimónio e da família» (AL, 2). Com estas três notas, o Papa Francisco carateriza a reflexão eclesial entretanto feita: analisar a situação, alargar a perspetiva e reavivar a consciência. E assim realmente aconteceu, pois foram muitos os contributos de testemunho e análise para melhor compreendermos o que se passa, várias as perspetivas geográficas e culturais que se interligaram e reforçada saiu a consciência eclesial sobre a importância decisiva da nossa primeira e indispensável agregação social e eclesial – precisamente a família.
Este mesmo conjunto de perspetivas e análises requereu, de uma para outra assembleia sinodal, o maior aprofundamento das questões e das soluções, como é próprio da tradição viva em que a Igreja lê evangelicamente os sinais dos tempos e lhes procura corresponder, tão idêntica como atualmente. Identidade e atualidade que, conjugadas, evitarão os dois escolhos da descaraterização ou do passadismo (cf. Ibidem).
A leitura dos sinais só biblicamente pode ser feita. Os relatórios das duas assembleias e a própria exortação apostólica dão-nos conta disto mesmo, sobretudo ao sublinhar o caráter existencial da revelação, que inclui a família, o seu valor, o seu drama e redenção. Na verdade, «a Palavra de Deus não se apresenta como uma sequência de teses abstratas, mas como uma companheira de viagem, mesmo para as famílias que estão em crise ou imersas nalguma tribulação, mostrando-lhes a meta do caminho, quando Deus “enxugar todas as lágrimas dos seus olhos, e não houver mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor” (Ap 21, 4)» (AL, 22). As meditações bíblicas presentes na exortação apostólica constituem um notável contributo para a catequese e a pastoral familiar, como havemos de aproveitar.

«Ninguém pode pensar que o enfraquecimento da família como sociedade natural fundada no matrimónio seja algo que beneficia a sociedade» (AL, 52). Creio ser esta a grande preocupação do Papa Francisco e mesmo a razão principal que o levou a convocar as assembleias sinodais que estão na base da presente exortação apostólica. Está convicto de que «nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade» (Ibidem).
Encontra no próprio amor humano, quando autêntico, o sinal e o apelo da respetiva perenidade, como escreve mais adiante: «Sejamos sinceros na leitura dos sinais da realidade: quem está enamorado não projeta que essa relação possa ser apenas por um certo tempo; […] os filhos querem não só que os seus pais se amem, mas também sejam fiéis e permaneçam sempre juntos. Estes e outros sinais mostram que, na própria natureza do amor conjugal, existe a abertura ao definitivo» (AL, 123).
Daqui que a preparação e o acompanhamento do matrimónio devem revelar a sua coincidência com o que há de mais profundo em quem ama e vai amando, sem ilusão nem desistência: «Tanto a preparação próxima como o acompanhamento mais prolongado devem procurar que os noivos não considerem o matrimónio como o fim do caminho, mas o assumam como uma vocação que os lança para diante, com a decisão firme e realista de atravessarem juntos todas as provações e momentos difíceis» (AL, 211).
Nesta ordem de ideias, o Papa Francisco escreve mesmo que o “vínculo” carateriza tanto a pastoral como a espiritualidade do matrimónio: «Tanto a pastoral pré-matrimonial como a matrimonial devem ser, antes de mais nada, uma pastoral do vínculo, na qual se ofereçam elementos que ajudem quer a amadurecer o amor quer a superar os momentos duros» (AL, 211). E no final da exortação: «Em suma, a espiritualidade matrimonial é uma espiritualidade do vínculo habitado pelo amor divino» (AL, 315).

«A Igreja é família de famílias, constantemente enriquecida pela vida de todas as Igrejas domésticas. Assim, “em virtude do sacramento do Matrimónio, cada família torna-se, para todos os efeitos, um bem para a Igreja” (Relatio Finalis 2015, 52)» (AL, 87). Esta afirmação deverá obter grande consequência na vida das nossas comunidades, paroquiais e outras. Significa, por exemplo, que antes de contar os fiéis presentes e ausentes, habituais ou ocasionais, devemos perguntar-nos pelas realidades familiares que constituem a rede e o suporte da nossa vida comunitária. Se a Igreja se alarga na familiaridade geral de todos os filhos de Deus, a vida familiar oferece à comunidade cristã a solidariedade básica da casa de cada um. Daqui a conclusão e a mútua responsabilidade: «“ a Igreja é um bem para a família, a família é um bem para a Igreja. A salvaguarda deste dom sacramental do Senhor compete não só à família individual, mas a toda a comunidade cristã”» (Ibidem).
A experiência atual de milhares de famílias em missão, demonstrando na prática a potencialidade do sacramento que as origina, é deveras convincente e criativa, em termos de evangelização e nova evangelização, longe ou perto, indo a outro continente ou a outro andar do mesmo prédio em que habitam: «Com o testemunho e, também, com a palavra, as famílias falam de Jesus aos outros, transmitem a fé, despertam o desejo de Deus e mostram a beleza do Evangelho e do estilo de vida que nos propõe. Assim os esposos cristãos pintam o cinzento do espaço público, colorindo-o de fraternidade, sensibilidade social, defesa das pessoas frágeis, fé luminosa, esperança ativa. A sua fecundidade alarga-se, traduzindo-se em mil e uma maneiras de tornar o amor de Deus presente na sociedade» (AL, 184).
E tão relevante se torna este facto, que as famílias tomam a primazia pastoral no que lhes é próprio: «Os Padres sinodais insistiram no facto de que as famílias cristãs são, pela graça do sacramento nupcial, os sujeitos principais da pastoral familiar, sobretudo oferecendo “o testemunho jubiloso dos cônjuges e das famílias, igrejas domésticas” (Relatio Synodi 2014, 30)» (AL, 200).
No Sínodo foi também realçada a importância catequética da família, dos pais em relação aos filhos e não só: «… a família deve continuar a ser lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo. […] Por isso, “tenha-se o cuidado de valorizar os casais, as mães e os pais, como sujeitos ativos da catequese […]. De grande ajuda é a catequese familiar, enquanto método eficaz para formar os pais jovens e torná-los conscientes da sua missão como evangelizadores da sua própria família” (Relatio Finalis 2015, 89)» (AL, 287).

«Acolho as considerações de muitos Padres sinodais que quiseram afirmar que “os batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis, evitando toda a ocasião de escândalo” (Relatio Finalis 2015, 84)» (AL, 299). Como é sabido, este ponto teve referência prioritária nos media, como já a tivera antes e durante as assembleias sinodais.
Se tivermos bem presentes duas exortações apostólicas pós-sinodais anteriores – Familiaris Consortio, nº 84, de João Paulo II, e Sacramentum Caritatis, nº 29, de Bento XVI – nem esta nem outras afirmações decorrentes nos trazem novidade substancial: discernimento das situações e das responsabilidades, distinção entre objetivo e subjetivo, gradualidade, participação na vida comunitária, de tudo isto nos dão conta os textos dos Papas Wojtyla e Ratzinger. Entretanto, a integração de todos e tanto quanto possa ser é uma das insistências maiores do atual pontificado, em grande correspondência à misericórdia divina e aos dramas duma sociedade tão desintegrada como a atual. Daqui a insistência do Papa Francisco, em relação a estas situações: «A lógica da integração é a chave do seu acompanhamento pastoral […]. São batizados, são irmãos e irmãs, o Espírito Santo derrama neles dons e carismas para o bem de todos. A sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais as diferentes formas de exclusão atualmente praticadas em âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional possam ser superadas” (Relatio Finalis 2015, 84)» (AL, 299). Reparemos que, neste elenco das exclusões a rever, não se mencionam as sacramentais.
Na verdade, o Papa não dá novas normas, antes reforça as exigências de discernimento já indicadas pelos seus antecessores: «… é compreensível que se não devia esperar do Sínodo ou desta Exortação uma nova normativa geral de tipo canónico, aplicável a todos os casos. É possível apenas um novo encorajamento e um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveria reconhecer: uma vez que “o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos” (Relatio Finalis 2015, 84), as consequências ou efeitos duma norma não devem necessariamente ser sempre os mesmos. Os sacerdotes têm o dever de “acompanhar as pessoas interessadas pelo caminho do discernimento segundo a doutrina da Igreja e as orientações do bispo” (Ibidem, 85)» (AL, 300).
Evitando qualquer arbitrariedade no acompanhamento pastoral dos casos concretos, em que hão de prevalecer «a humildade, a privacidade, o amor à Igreja e à sua doutrina, a busca sincera da vontade de Deus». Na verdade, «estas atitudes são fundamentais para evitar o grave risco de mensagens equivocadas, como a ideia de que algum sacerdote pode conceder rapidamente “exceções”, ou de que há pessoas que podem obter privilégios sacramentais em troca de favores» (AL, 300).
O Papa Francisco retoma a já conhecida distinção entre objetividade e subjetividade, nos seguintes termos: «Por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio duma situação objetiva de pecado – mas [que] subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente -, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja» (AL, 305). E especifica na nota 351: «Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos. Por isso “aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor” (Evangelii gaudium, 44). E de igual modo assinalo que a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos” (Ibidem, 47)».  
Para compreendermos melhor o que possa acontecer no âmbito da Penitência e da Eucaristia – certamente mais vasto do que a absolvição e a comunhão propriamente ditas – atendamos, para já, ao recente conselho do Papa: «Tenho de dizer aos confessores: falem, ouçam pacientemente e acima de tudo digam às pessoas que Deus quer o seu bem. E se o confessor não pode absolver, que explique porquê, mas que não deixe de dar uma bênção, mesmo sem absolvição sacramental. O amor de Deus também existe para quem não está disponível para receber o sacramento» (Francisco, O nome de Deus é Misericórdia, Lisboa, Planeta, 2015, p. 33). Sem esquecer a possibilidade já prevista de acesso aos sacramentos por parte de recasados plenamente continentes, ou a crescente verificação da validade ou nulidade dos matrimónios, cumprindo as determinações do Código de Direito Canónico e do Motu Proprio Mitis Iudex Dominus Iesus, de 15 de agosto de 2015.  

Concluindo: A intenção prevalecente do Papa Francisco é propor o matrimónio cristão, realmente possível com a graça divina: «Para evitar qualquer interpretação tendenciosa, lembro que, de modo algum, deve a Igreja renunciar a propor o ideal pleno do matrimónio, o projeto de Deus em toda a sua grandeza: “É preciso encorajar os jovens batizados para não hesitarem perante a riqueza que o sacramento do Matrimónio oferece aos seus projetos de amor, com a força do apoio que recebem da graça de Cristo e da possibilidade de participar plenamente da vida da Igreja” (Relatio Synodi 2014, 26). […] Hoje, mais importante do que uma pastoral dos falhanços é o esforço pastoral para consolidar os matrimónios e assim evitar as ruturas» (AL, 307).

+ Manuel Clemente

quinta-feira, 21 de abril de 2016

22/04 - 21.30 - Missa de Ação de Graças


Sexta feira 22/04 - 21.30
 
Missa de Ação de graças pêlos resultados obtidos com a recolha de bens alimentares promovidos pela Ajuda Fraterna da Paroquia com o objectivo de ajudas as famílias carências por si acompanha.
 
 




sábado, 9 de abril de 2016

Leia a síntese da Exortação "A alegria do amor"

2016-04-08 Rádio Vaticana


Cidade do Vaticano (RV) - Amoris laetitia” (AL - “A alegria do amor”), a Exortação apostólica pós-sinodal “sobre o amor na família”, datada não por acaso de 19 de março, Solenidade de S. José, recolhe os resultados de dois Sínodos sobre a família convocados pelo Papa Francisco em 2014 e 2015, cujas Relações conclusivas são abundantemente citadas, juntamente com documentos e ensinamentos dos seus Predecessores e as numerosas catequeses sobre a família do próprio Papa Francisco. Contudo, como já sucedeu noutros documentos magisteriais, o Papa recorre também a contributos de diversas Conferências episcopais de todo o mundo (Quênia, Austrália, Argentina...) e a citações de personalidades de relevo, como Martin Luther King ou Erich Fromm. Ressalta em particular uma citação do filme “A Festa de Babette”, que o Papa recorda para explicar o conceito de gratuitidade.

Premissa

A Exortação apostólica chama a atenção pela sua amplitude e articulação. Está dividida em nove capítulos e mais de 300 parágrafos. Tem início com sete parágrafos introdutórios que evidenciam a plena consciência da complexidade do tema, que requer ser aprofundado. Afirma-se que as intervenções dos Padres no Sínodo constituíram um «precioso poliedro» (AL 4) que deve ser preservado. Neste sentido, o Papa escreve que «nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais». Por conseguinte, para algumas questões «em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais. De facto,“as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral (...), se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado”» (AL 3). Este princípio de inculturação revela-se como muito importante até no modo de articular e compreender os problemas, modo esse que, sem entrar nas questões dogmáticas bem definidas pelo Magistério da Igreja, não pode ser «globalizado».

Mas sobretudo o Papa afirma de imediato e com clareza que é necessário sair da estéril contraposição entre a ânsia de mudança e a aplicação pura e simples de normas abstratas. Escreve: «Os debates, que têm lugar nos meios de comunicação ou em publicações e mesmo entre ministros da Igreja, estendem-se desde o desejo desenfreado de mudar tudo sem suficiente reflexão ou fundamentação até à atitude que pretende resolver tudo através da aplicação de normas gerais ou deduzindo conclusões excessivas de algumas reflexões teológicas» (AL 2).

Capítulo primeiro: “À luz da Palavra”

Enunciadas estas premissas, o Papa articula a sua reflexão a partir das Sagradas Escrituras no primeiro capítulo, que se desenvolve como uma meditação acerca do Salmo 128, característico da liturgia nupcial hebraica, assim como da cristã. A Bíblia «aparece cheia de famílias, gerações, histórias de amor e de crises familiares» (AL 8) e a partir deste dado pode meditar-se como a família não é um ideal abstrato, mas uma «tarefa “artesanal”» (AL 16) que se exprime com ternura (AL 28), mas que se viu confrontada desde o início também pelo pecado, quando a relação de amor se transformou em domínio (cf. AL 19). Então, a Palavra de Deus «não se apresenta como uma sequência de teses abstratas, mas como uma companheira de viagem, mesmo para as famílias que estão em crise ou imersas nalguma tribulação, mostrando-lhes a meta do caminho» (AL 22).

Capítulo segundo: “A realidade e os desafios das famílias”

Partindo do terreno bíblico, o Papa considera no segundo capítulo a situação atual das famílias, mantendo «os pés assentes na terra» (AL 6), bebendo com abundância das Relações conclusivas dos dois Sínodo se enfrentando numerosos desafios, desde o fenômeno migratório à negação ideológica da diferença de sexo («ideologia de gênero»); da cultura do provisório à mentalidade anti-natalidade e ao impacto das biotecnologias no campo da procriação; da falta de habitação e de trabalho à pornografia e ao abuso de menores; da atenção às pessoas com deficiência ao respeito pelos idosos; da desconstrução jurídica da família à violência para com as mulheres. O Papa insiste no carácter concreto, que é um elemento fundamental da Exortação. E é este carácter concreto e realista que estabelece uma diferença substancial entre «teorias» de interpretação da realidade e «ideologias».

Citando a Familiaris consortio, Francisco afirma que «é salutar prestar atenção à realidade concreta, porque “os pedidos e os apelos do Espírito ressoam também nos acontecimentos da história” através dos quais “a Igreja pode ser guiada para uma compreensão mais profundado inexaurível mistério do matrimônio e da família”» (AL 31). Sem escutar a realidade não é possível compreender nem as exigências do presente nem os apelos do Espírito. O Papa nota que o individualismo exacerbado torna hoje difícil a doação a uma outra pessoa de uma maneira generosa (cf. AL 33). Eis um interessante retrato da situação: «Teme-se a solidão, deseja-se um espaço de proteção e fidelidade mas, ao mesmo tempo, cresce o medo de ficar encurralado numa relação que possa adiar a satisfação das aspirações pessoais» (AL 34).

A humildade do realismo ajuda a não apresentar «um ideal teológico do matrimônio demasiado abstrato, construído quase artificialmente, distante da situação concreta e das possibilidades efetivas das famílias tais como são» (AL 36). O idealismo não permite considerar o matrimônio assim como é, ou seja, «um caminho dinâmico de crescimento e realização». Por isso, também não se pode julgar que se possa apoiar as famílias «com a simples insistência em questões doutrinais, bioéticas e morais, sem motivar a abertura à graça» (AL 37). Convidando a uma certa “autocrítica” de uma apresentação não adequada da realidade matrimonial e familiar, o Papa insiste na necessidade de dar espaço à formação da consciência dos fiéis: «Somos chamados aformar as consciências, não a pretender substituí-las» (AL37). Jesus propunha um ideal exigente, mas «não perdia jamais a proximidade compassiva às pessoas frágeis como a samaritana ou a mulher adúltera» (AL 38).

Capítulo terceiro: “O olhar fixo em Jesus: a vocação da família”

O terceiro capítulo é dedicado a alguns elementos essenciais do ensinamento da Igreja acerca do matrimônio e da família. É importante a presença deste capítulo, porque ilustra de uma maneira sintética em 30 parágrafos a vocação à família de acordo com o Evangelho, assim como ela foi recebida pela Igreja ao longo do tempo, sobretudo quanto ao tema da indissolubilidade, da sacramentalidade do matrimônio, da transmissão da vida e da educação dos filhos. Fazem-se inúmeras citações da Gaudium et spes do Vaticano II, da Humanae vitae de Paulo VI, da Familiaris consortio de João Paulo II. 

O olhar é amplo e inclui também as «situações imperfeitas». Com efeito, lemos: «“O discernimento da presença das semina Verbi nas outras culturas (cf. Ad gentes, 11) pode-se aplicar também à realidade matrimonial e familiar. Para além do verdadeiro matrimônio natural, há elementos positivos também nas formas matrimoniais doutras tradições religiosas”, embora não faltem também as sombras» (AL 77). A reflexão inclui ainda as «famílias feridas», a propósito das quais o Papa afirma - citando a Relatio finalis do Sínodo de 2015 —«é preciso lembrar sempre um princípio geral: “Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações” (Familiaris consortio, 84). O grau de responsabilidade não é igual em todos os casos, e podem existir fatores que limitem a capacidade de decisão. Por isso, ao mesmo tempo que se exprime com clareza adoutrina, há que evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diferentes situações,e é preciso estar atentos ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição» (AL 79).

Capítulo quarto: “O amor no matrimónio”

O quarto capítulo trata do amor no matrimônio e ilustra-o a partir do “hino ao amor” de São Paulo de 1 Cor 13, 4-7. O capítulo é uma verdadeira e autêntica exegese cuidadosa, precisa, inspirada e poética do texto paulino. Poderemos dizer que se trata de uma coleção de fragmentos de um discurso amoroso que cuida de descrever o amor humano em termos absolutamente concretos. Surpreende-nos a capacidade de introspeção psicológica evidenciada por esta exegese. O aprofundamento psicológico chega ao mundo das emoções dos cônjuges - positivas e negativas - e à dimensão erótica do amor.Este é um contributo extremamente rico e precioso para a vida cristã dos cônjuges, que não tinha até agora paralelo em anteriores documentos papais.

À sua maneira, este capítulo constitui um pequeno tratado no conjunto de um desenvolvimento mais amplo, plenamente consciente do carácter quotidiano do amor que se opõe a todos os idealismos: «não se deve atirar para cima de duas pessoas limitadas o peso tremendo de ter que reproduzir perfeitamente a união que existe entre Cristo e a sua Igreja, porque o matrimônio como sinal implica “um processo dinâmico, que avança gradualmente com a progressiva integração dos dons de Deus”» (AL 122). Mas, por outro lado, o Papa insiste de modo enérgico e firme no facto de que «na própria natureza do amor conjugal, existe a abertura ao definitivo» (AL 123) precisamente no íntimo daquela «combinação necessária de alegrias e fadigas, de tensões e repouso, de sofrimentos e libertações, de satisfações e buscas, de aborrecimentos e prazeres» (Al 126) que é de facto o matrimônio.

O capítulo conclui-se com uma reflexão muito importante acerca da «transformação do amor» uma vez que «o alongamento da vida provocou algo que não era comum noutros tempos: a relação íntima e a mútua pertença devem ser mantidas durante quatro, cinco ou seis décadas, e isto gera a necessidade de renovar repetidas vezes a recíproca escolha» (AL 163). A aparência física transforma-se e a atração amorosa não desaparece, mas muda: com o tempo, o desejo sexual pode transformar-se em desejo de intimidade e «cumplicidade». «Não é possível prometer que teremos os mesmos sentimentos durante a vida inteira; mas podemos ter um projeto comum estável, comprometer-nos a amar-nos e a viver unidos até que a morte nos separe, e viver sempre uma rica intimidade» (AL 163).

Capítulo quinto: “O amor que se torna fecundo”

O quinto capítulo centra-se por completo na fecundidade e no carácter gerador do amor. Fala-se de uma maneira espiritualmente e psicologicamente profunda do acolher uma nova vida, da espera própria da gravidez, do amor de mãe e de pai. Mas também da fecundidade alargada, da adoção, do acolhimento do contributo das famílias para a promoção de uma “cultura do encontro”, da vida na família em sentido amplo, com a presença de tios, primos, parentes dos parentes, amigos. A Amoris laetitia não toma em consideração a família «mononuclear», mas está bem consciente da família como rede de relações alargadas. A própria mística do sacramento do matrimônio tem um profundo carácter social (cf. AL 186). E no âmbito desta dimensão social, o Papa sublinha em particular tanto o papel específico da relação entre jovens e idosos, como a relação entre irmãos como aprendizagem de crescimento na relação com os outros.

Capítulo sexto: “Algumas perspetivas pastorais”

No sexto capítulo, o Papa aborda algumas vias pastorais que orientam para a edificação de famílias sólidas e fecundas de acordo com o plano de Deus. Nesta parte, a Exortação recorre às Relações conclusivas dos dois Sínodos e às catequeses do Papa Francisco e de João Paulo II. Volta-se a sublinhar que as famílias são sujeito e não apenas objeto de evangelização. O Papa observa que «os ministros ordenados carecem, habitualmente, de formação adequada para tratar dos complexos problemas atuais das famílias» (AL 202). Se, por um lado, é necessário melhorar a formação psicoafetiva dos seminaristas e envolver mais a família na formação para o ministério (cf. AL 203), por outro «pode ser útil também a experiência da longa tradição oriental dos sacerdotes casados» (AL 202).

Em seguida, o Papa desenvolve o tema da orientação dos noivos no caminho de preparação para o matrimônio, do acompanhamento dos esposos nos primeiros anos da vida matrimonial (incluindo o tema da paternidade responsável), mas também em algumas situações complexas e, em particular, nas crises, sabendo que «cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração» (AL 232). São analisadas algumas causas de crise, entre elas uma maturação afetiva retardada (cf. AL 239).

Além disso, fala-se também do acompanhamento das pessoas abandonadas, separadas ou divorciadas e sublinha-se a importância da recente reforma dos procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade matrimonial. Coloca-se em relevo o sofrimento dos filhos nas situações de conflito e conclui-se: «O divórcio é um mal, e é muito preocupante o aumento do número de divórcios. Por isso, sem dúvida, a nossa tarefa pastoral mais importante relativamente às famílias é reforçar o amor e ajudar a curar as feridas, para podermos impedir o avanço deste drama do nosso tempo» (AL 246). Referem-se de seguida as situações dos matrimônios mistos e daqueles com disparidade de culto, e a situação das famílias que têm dentro de si pessoas com tendência homossexual, insistindo no respeito para com elas e na recusa de qualquer discriminação injusta e de todas das formas de agressão e violência. A parte final do capítulo, «quando a morte crava o seu aguilhão», é de grande valor pastoral, tocando o tema da perda das pessoas queridas e da viuvez.

Capítulo sétimo: “Reforçar a educação dos filhos”

O sétimo capítulo é totalmente dedicado à educação dos filhos: a sua formação ética, o valor da sanção como estímulo, o realismo paciente, a educação sexual, a transmissão da fé e, mais em geral, a vida familiar como contexto educativo. É interessante a sabedoria prática que transparece em cada parágrafo e sobretudo a atenção à gradualidade e aos pequenos passos que «possam ser compreendidos, aceites e apreciados» (AL 271).

Há um parágrafo particularmente significativo e de um valor pedagógico fundamental em que Francisco afirma com clareza que «a obsessão (...) não é educativa; e também não é possível ter o controle de todas as situações onde um filho poderá chegar a encontrar-se (...). Se um progenitor está obcecado com saber onde está o seu filho e controlar todos os seus movimentos, procurará apenas dominar o seu espaço. Mas, desta forma, não o educará, não o reforçará, não o preparará para enfrentar os desafios. O que interessa acima de tudo é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de preparação, de crescimento integral, de cultivo da autêntica autonomia» (AL 261).

A secção dedicada à educação sexual é notável, e intitula-se muito expressivamente: «Sim à educação sexual». Sustenta-se a sua necessidade e formula-se a interrogação de saber «se as nossas instituições educativas assumiram este desafio (…) num tempo em que se tende a banalizar e empobrecer a sexualidade». A educação sexual deve ser realizada«no contexto duma educação para o amor, para a doação mútua» (AL 280). É feita uma advertência em relação à expressão «sexo seguro», pois transmite«uma atitude negativa a respeito da finalidade procriadora natural da sexualidade, como se um possível filho fosse um inimigo de que é preciso proteger-se. Deste modo promove-se a agressividade narcisista, em vez do acolhimento» (AL 283).

Capítulo oitavo: “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”

O capítulo oitavo representa um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral diante de situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor propõe. O Papa usa aqui três verbos muito importantes: «acompanhar, discernir e integrar», os quais são fundamentais para responder a situações de fragilidade, complexas ou irregulares. Em seguida, apresenta a necessária gradualidade na pastoral, a importância do discernimento, as normas e circunstâncias atenuantes no discernimento pastoral e, por fim, aquela que é por ele definida como a «lógica da misericórdia pastoral».

O oitavo capítulo é muito delicado. Na sua leitura deve recordar-se que «muitas vezes, o trabalho da Igreja é semelhante ao de um hospital de campanha» (AL 291). O Pontífice assume aqui aquilo que foi fruto da reflexão do Sínodo acerca de temáticas controversas. Reforça-se o que é o matrimônio cristão e acrescenta-se que «algumas formas de união contradizem radicalmente este ideal, enquanto outras o realizam pelo menos de forma parcial e analógica». Por conseguinte, «a Igreja não deixa de valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimônio» (AL 292).

No que respeita ao «discernimento» acerca das situações «irregulares», o Papa observa: «temos de evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diversas situações e é necessário estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição» (AL 296). E continua: «Trata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objeto duma misericórdia “imerecida, incondicional e gratuita”»(AL 297). E ainda: «Os divorciados que vivem numa nova união, por exemplo, podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral» (AL 298).

Nesta linha, acolhendo as observações de muitos Padres sinodais , o Papa afirma que «os batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis, evitando toda a ocasião de escândalo». «A sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais (…).Não devem sentir-se excomungados, mas podem viver e maturar como membros vivos da Igreja (…). Esta integração é necessária também para o cuidado e a educação cristã dos seus filhos» (AL 299).

Mais em geral, o Papa profere uma afirmação extremamente importante para que se compreenda a orientação e o sentido da Exortação: «Se se tiver em conta a variedade inumerável de situações concretas (…) é compreensível que se não devia esperar do Sínodo ou desta Exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos. É possível apenas um novo encorajamento a um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveria reconhecer: uma vez que “o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos”, as consequências ou efeitos duma norma não devem necessariamente ser sempre os mesmos» (AL 300). O Papa desenvolve em profundidade as exigências e características do caminho de acompanhamento e discernimento em diálogo profundo entre fiéis e pastores. A este propósito, faz apelo à reflexão da Igreja «sobre os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes» no que respeita à imputabilidade das ações e, apoiando-se em S. Tomás de Aquino, detém-se na relação entre «as normas e o discernimento», afirmando: «É verdade que as normas gerais apresentam um bem que nunca se deve ignorar nem transcurar, mas, na sua formulação, não podem abarcar absolutamente todas as situações particulares. Ao mesmo tempo é preciso afirmar que, precisamente por esta razão, aquilo que faz parte dum discernimento prático duma situação particular não pode ser elevado à categoria de norma» (AL 304).

Na última secção do capítulo, «A lógica da misericórdia pastoral», o Papa Francisco, para evitar equívocos, reafirma com vigor: «A compreensão pelas situações excecionais não implica jamais esconder a luz do ideal mais pleno, nem propor menos de quanto Jesus oferece ao ser humano. Hoje, mais importante do que uma pastoral dos falimentos é o esforço pastoral para consolidar os matrimônio se assim evitar as ruturas» (AL 307). Mas o sentido abrangente do capítulo e do espírito que o Papa Francisco pretende imprimir à pastoral da Igreja encontra um resumo adequado nas palavras finais: «Convido os fiéis, que vivem situações complexas, a aproximar-se com confiança para falar com os seus pastores ou com leigos que vivem entregues ao Senhor. Nem sempre encontrarão neles uma confirmação das próprias ideias ou desejos, mas seguramente receberão uma luz que lhes permita compreender melhor o que está a acontecer e poderão descobrir um caminho de amadurecimento pessoal. E convido os pastores a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas e compreender o seu ponto de vista, para ajudá-las a viver melhor e reconhecer o seu lugar na Igreja» (AL 312). Acerca da «lógica da misericórdia pastoral», o Papa Francisco afirma com força: «Às vezes custa-nos muito dar lugar, na pastoral, ao amor incondicional de Deus. Pomos tantas condições à misericórdia que a esvaziamos de sentido concreto e real significado, e esta é a pior maneira de aguar o Evangelho» (AL 311).

Capítulo nono: “Espiritualidade conjugal e familiar”

O nono capítulo é dedicado à espiritualidade conjugal e familiar, «feita de milhares de gestos reais e concretos» (AL 315). Diz-se com clareza que «aqueles que têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito, mas é um percurso de que o Senhor Se serve para os levar às alturas da união mística» (AL 316). Tudo, «os momentos de alegria, o descanso ou a festa, e mesmo a sexualidade são sentidos como uma participação na vida plena da sua Ressurreição» (AL 317). Fala-se de seguida da oração à luz da Páscoa, da espiritualidade do amor exclusivo e livre diante do desafio e do desejo de envelhecer e gastar-se juntos, refletindo a fidelidade de Deus (cf. AL 319). E, por fim, a espiritualidade «da solicitude, da consolação e do estímulo». «Toda a vida da família é um “pastoreio” misericordioso. Cada um, cuidadosamente, desenha e escreve na vida do outro» (AL 322), escreve o Papa. «É uma experiência espiritual profunda contemplar cada ente querido com os olhos de Deus e reconhecer Cristo nele» (AL 323).

No parágrafo conclusivo,o Papa afirma: «Nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar. (…). Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e dos nossos limites, e cada família deve viver neste estímulo constante. Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! (…). Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida» (AL 325).

A Exortação apostólica conclui-se com uma Oração à Sagrada Família (AL 325).

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Como já se pode depreender a partir de um rápido exame dos seus conteúdos, a Exortação apostólica Amoris laetitia pretende reafirmar com força não o «ideal» da família, mas a sua realidade rica e complexa. Há nas suas páginas um olhar aberto, profundamente positivo, que se nutre não de abstrações ou projeções ideais, mas de uma atenção pastoral à realidade. O documento é uma leitura densa de motivos espirituais e de sabedoria prática útil a cada casal ou a pessoas que desejam construir uma família. Nota-se sobretudo que foi fruto de uma experiência concreta com pessoas que sabem a partir da experiência o que é a família e o viver juntos durante muitos anos. A Exortação fala de fato a linguagem da experiência e da esperança.